Capítulo 01

A Convocação.


Era próxima à hora do crepúsculo, mas dentro das altas muralhas da cidade as pequenas ruas e becos já estavam escuros, com sua capa negra que varria o chão ele era quase imperceptível, caminhava por entre os becos em direção ao centro da cidade, e mesmo com toda a escuridão não carregava lamparina. Enquanto se aproximava do palácio que ficava exatamente no meio da cidade, as ruas iam ficando mais largas e as casas mais luxuosas, a cidade ali parecia ser mais clara, e com certeza mais segura, mas ele não se importava, não gostava da região, ele nasceu e cresceu no subúrbio da cidade, esquecido por toda a sociedade, e agora por ironia, estava indo até o palácio do rei da cidade oferecer seus serviços.


Chegou à soleira do castelo, as portas deviam ter três metros de altura, eram de mogno trabalhado com detalhes em ouro e prata, no meio da porta havia em cada metade de um escudo prateado, e em cada metade um wyvern dourado em voou, quando as grandes portas estão fechadas o escuto fica completo e embaixo das patas dianteiras das criaturas se vê um “L” também trabalhado em ouro e com algumas pedras preciosas como adorno. Mas agora as portas estavam abertas, e sobre o grande arco se encontrava dois cavaleiros altos e fortes cada um segurava uma lança, que eles juntaram com a aproximação do estranho.

— Diga quem és e o que vêm fazer na morada de seu soberano? — disse o da direita, seu rosto, assim como o de seu companheiro, estava coberto pelo elmo prateado da mesma cor de sua armadura.

O estranho então mexeu em um bolso dentro de sua capa, o que deixou os cavaleiros apreensivos, então de dentro do bolso o homem tirou uma réplica em tamanho menor do brasão da família real.

— Oh senhor, nos perdoe. O rei está em seu aguardo na sala do trono. — eles tiraram as lanças do caminho e ficaram com uma postura que demonstrava respeito.

O visitante entrou no saguão do castelo, havia no centro uma grande fonte que jorrava água a dois metros de altura, e levantava uma pedra de jade polida e redonda, atrás da fonte havia uma grande escada, ao fim dela havia uma porta e mais duas escadas, uma subia pra direita e a outra para a esquerda, o homem subiu a da direita, abriu á porta e entrou em um corredor de uns dois metros de largura, e trinta de comprimento, havia nas paredes várias portas que provavelmente levará aos aposentos, e do lado de cada porta duas armaduras vazias, ao fim do corredor o homem dobrou novamente para a esquerda, avançou mais uns dez metros e então na parede a direita encontrou uma porta exatamente igual á da entrada do castelo, só que está estava fechada e guardada por dois cavaleiros iguais aos anteriores, antes que eles falassem alguma coisa o estranho se adiantou e mostrou-lhes a réplica do brasão.

— Aguarde um minuto senhor, eu irei anunciar a sua chegada. – O cavaleiro da direita abriu uma pequena fenda na porta e entrou, não levou meio minuto e ele já estava de volta. — O Rei deseja vê-lo agora.

Ao dizer isso as duas portas se abriram para uma sala comprida, deveria ter uns trinta e cinco metros de comprimento e uns vinte de largura, havia um tapete vermelho que levava até o outro lado da sala, onde em um patamar alto tinha virado para a porta um trono onde sentava uma a figura do rei Trylon Liannor, atrás do trono havia uma cortina que dava para uma sacada sobre o jardim particular do rei. O estranho foi avançando lentamente, causando a sala e ele podia ver nas paredes, ao longe vários quadros com figuras dos antigos reis, ele então chegou ao pé do patamar e ajoelhou-se diante do rei.

O rei era um homem velho, de rosto sábio, seu elmo estava depositado ao lado de seu trono sobre uma almofada, incrustada nele havia uma bela esmeralda. Trajava uma armadura dourada, no peito o emblema da família real brilhava, e se destacando mais que tudo nos olhos de cada wyvern havia pequenos rubis cintilantes. Então o rei falou, e sua voz de trovão ecoou pelo amplo salão:

— Styos, filho de pais desconhecidos, em tempos passados você mostrou seu valor pelo reino de Liannor, e mais uma vez seu poder é necessário.

Styos olhou nos olhos do rei, não gostava daquele homem, mas não podia fazer nada, não podia negar-lhe seus serviços, teria de servir-lhe até a morte, ou até que pague a divida que tinha com ele.

— Minha espada é sua espada meu senhor. — disse Styos, retirando a espada da bainha e a oferecendo ao rei Liannor.

O rei então levantou de seu trono, era alto, e embora velho, era vigoroso, e Styos sabia que mesmo ele tendo passado boa parte de sua vida sentado naquele trono, poderia derrotar dezenas de inimigos de uma só vez, afinal vinha de família real, e os reis guardam segredos que poucos conhecem. Trylon pegou a espada e a brandiu.

— É uma ótima arma, e agora eu a devolvo para que você possa usá-la para o bem do reino de Liannor.

Styos a embainhou e se levantou. — É a única herança que meu pai me deixou, me colocou sobre ela na porta do orfanato no qual me largou, junto ao bilhete de desculpas.

— Bom, agora não é momento para falar sobre esses assuntos, temos que tratar dos detalhes de sua missão, recebemos uma mensagem de Demera dizendo que a resistência está com problemas na Garganta Cerrada, e pediu para que mandemos uma tropa de apoio. Você irá governar três mil soldados que estarão reunidos pela manha do lado de fora das muralhas, apronte-se para partir assim que o sol nascer.

Styos fez uma reverencia e saio, a lua já estava no céu, ele foi até o encarregado por reunir as tropas e ordenou que pela manha junto de seu cavalo e suas provisões para a viagem, tivesse também uma montante, e um pajem para carregar seu escudo. Foi então para seu casebre e deitou para esperar a aurora que daria inicio a mais uma grande batalha.

Postado Por Eráel o Eterno (Yann).

Published in: on 11 de Abril de 2010 at 14:43  Comentários (2)  

Prólogo.

O início: a descoberta do artefato


O lugar era pacífico, em uma colina o vento soprava pela janela aberta de uma casa razoavelmente grande de paredes brancas, uma pilastra fazia o suporte do teto central onde havia pinturas de figuras mágicas, armas estavam dispostas por todas as paredes, cada cômodo era organizado para parecer um palácio, desde os enfeites aos móveis eram feitos a mãos com gravuras dos símbolos divinos. Subindo a trilha que levava a tal casa, uma figura de armadura pesada e reluzente, do seu elmo entreaberto enxergava-se a face cansada, porém determinada, do paladino. Seu nome era Criven Mohr II.
Ele abrira a porta da casa, retirava de sua mochila de viagem um papel, revigorado pela descoberta que havia feito ele jogou a mochila em cima da mesa, tirou sua armadura e armas, retirou alguns livros da estante, sentou e começou a lê-los, juntando a informações contidas no papel. Ele ficara lendo por uma hora, duas, três… No meio da tarde, ele levantara da mesa num salto, pegara um pergaminho em branco, e escrevera algo, em seguida correu para seu quarto e vestiu sua armadura, colocou sua mochila nas costas, preparou suas armas e num baque seco fechou a porta da casa e saiu para viagem. O pergaminho que havia escrito estava em cima da mesa. Mais tarde naquele mesmo dia, uma jovem moça também de armadura branca, batera na porta daquela casa, obviamente ninguém atendeu, ela abriu a porta e entrou. Após algum tempo percebeu que seu mestre realmente havia saído, e ela nem sabia por quê. Ela saia da casa quando o pergaminho, empurrando pelo vento, caiu da mesa, ela se assustou, andou e pegou o pergaminho. Ao terminar de lê-lo um sorriso habitava seu rosto, assim como seu mentor, ela pegara suas coisas e partira.

O sol deixava Criven exausto, a armadura parecia pesar mais, ele estava a pé, nenhum cavalo aguentaria ele, não com aquela armadura, mas era sua proteção contra qualquer predador que aparecesse, ele não queria usar suas magias, não ainda. Ele acabara de descobrir aquilo que procurou durante toda a vida, o Covil do Protetor, o que esse protetor guardava? A arma mais profana e destrutiva do mundo, a Foice das Mil Almas, e ele como paladino sentia-se no dever de destruir tal coisa, se caísse e mão erradas talvez fosse o fim do mundo de Ephitaria.
A longa jornada se estendeu pelo Deserto de Pedra praticamente todo. A sua direita a Garganta de Figundir, a maior cordilheira do continente, ele mesmo não sabia o que havia do outro lado, quem tentou atravessar por ela, ou até mesmo pelo desfiladeiro que havia entre as duas partes, não voltara nunca.
No meio do caminho o deserto justificou seu nome, pilhas e pilhas de pedras formavam arcos e torres esculpidos pela própria Unara, deusa da natureza, o paladino ficara encantado com a imagem, mas não esquecera em nenhum momento de sua missão, o Covil do Protetor se aproximava cada vez mais, mas no meio do caminho havia a Terra dos Golens, ninguém ousava passar dessa parte do deserto. Mas Criven nem pensou em parar, apesar da lenda dos golens monstruosos que residiam naquele local ele estava focado em algo maior.
A noite se aproximava, Criven procurava um lugar seguro pra dormir, ele encontrara um caverna entre duas grandes pedras vermelhas. Ele ajeitara seu saco de dormir e deitara. Partiria logo cedo.

Esbraguejando por aquela maldita barraca ficar longe da cidade, a jovem moça corria até os portões da cidade, que estavam fechando. Ela berrou para o guarda segurar o portão, foi obedecida imediatamente, rapidamente estava dentro da cidade.
Os vendedores e bardos se dispunham em seus lugares para o festival noturno, era Ikant, o dia da festividade em Seneri, a capital festiva do Oeste, as ruas estavam enfeitadas, mas sempre era assim.
Viofny, a  jovem moça, corria entre a balburdia das barracas que estavam sendo montadas, seu destino era o castelo do rei, o único local onde podia encontrar reforço.

Impiedosamente a cabeça de golem foi estilhaçada contra a parede com um martelo, Criven quase foi pego pela criaturas, ainda bem que elas não eram tão silenciosas e ele acordou a tempo de se proteger. Agora eras pedaços rochosos inanimados. Ao fim da luta, como era cedo já, o paladino decide por continuar sua jornada, os raios de sol já adentravam a caverna onde ele estava. Após andar mais algum tempo, escondendo dos seres hostis da área, ele enxerga ao longe seu objetivo, o Covil do Protetor.
O lugar é cercado por árvores secas de tronco negro, apenas uma torre, protegida por fortes muralhas o separa de sua missão.

A garota chega ao castelo e entra na sala do rei sem impedimento dos guardas, a confiança colocada nos paladinos fazia com que esses tivessem sempre a confiança das pessoas ao seu redor. Ela se ajoelha a frente do rei, que com um gesto fala para ela se levantar.

—Ao que devo sua inesperada visita, paladina Viofny?
—Meu rei, preciso de seus melhores soldados para uma jornada mortal. – disse em tom de comando.
—Mas pra onde?
—Receio que meu mestre, Sir Criven Mohr II, tenha ido ao encontro da relíquia do Covil do Protetor, ele me deixou essa carta – disse a garota mostrando o objeto sem revelar seu interior – e eu tenho certeza que ele está me perigo.
— Bem, todos dessa cidade tem um dívida com ele, acho que não será difícil convencer meus guerreiros a segui-la, mas preciso de algum tempo para poder entrar em contato com eles, enquanto isso use um dos aposentos do castelo para descansar, imagino o quão cansativo será essa jornada.
Sabendo que nada apressaria o rei, ela decide ficar enquanto os reforços são chamados. Na cama do seu aposento ela adormece, pouco tempo depois Criven esmagaria a cabeça de um golem com seu martelo.

Parado em frente as muralhas do Covil, Criven procurava um lugar onde entrar, já que o portão estava trancado, pelo jeito a muito tempo. Tempo. Coisa que ele não tinha, estava apressado para eliminar o mal daquele local. Desprendeu seu martelo de suas costas, conjurou uma aura em volta dele para destruir aquele portão profano, posicionado ele girou o martelo em direção ao portão, que foi derrubado no primeiro impacto.
Ele entrara na construção maligna e agora estava em um corredor, cercado por estátuas de pedra que davam num fundo rochoso que ele não conseguia identificar o que era realmente. Com o martelo ainda em punho ele foi andando até o fim do corredor, que desembocava numa caverna, o abismo aos seus pés dava numa espécie de lagoa de água cristalina no fundo da caverna.

— Esse lugar é enorme, a parte de fora é só uma ilusão… – disse o paladino, quase que só pra si.
— Com o tempo você acostuma – alguém respondeu antes de empurrá-lo desfiladeiro abaixo.

Os reforços estavam prontos. Um mago, um ladino, um clérigo e um guerreiro faziam parte do grupo de Viofny, cavalos estavam dispostos na saída da cidade, onde os festivais encerravam.
Sem mais delongas, partiram para a procura de Criven, o sol nascia as suas costas. Sendo guiados por Viofny, que conseguia rastrear seu mestre pelas pegadas, eles chegaram até a entrada do deserto, onde as pegadas sumiram. Nesse momento Criven arrombava o portão do Covil. Enges, o ladino, agachou-se perto da areia e com suas ferramentas conseguiu encontrar o rastro para continuarem a missão. Mure, o mago conjura uma Proteção Arcana em torno de todos para protegerem de ataques dos monstros da região. Continuam cavalgando até a visão da torre aparecer em seu horizonte.

Criven rolou até o lago no fundo da caverna, a iluminação era precária, apenas alguns buracos e um lustre com algumas velas proviam luz ao ambiente. Sua queda foi amortecida pela água, que mesmo cristalina possuía uma cor escura, como se tivesse algo diluída nela. O paladino se levantou rapidamente após a queda, agradecendo pela armadura ter lhe protegido de maiores machucados.
Uma silhueta se aproximava de Criven, tinha orelhas pontudas olhos amarelos, a água esquentava conforme a distância dos dois diminuía, aos poucos a silhueta revelava uma bela elfa de cabelos vermelhos e pele quase da mesma cor, seu corpo era detalhado pelas variadas tatuagens, provavelmente em élfico. Algo nela fazia com que o paladino não achasse ela uma real inimiga, mas mesmo assim ele não soltava o cabo de seu martelo.

—Aproxime-se, paladino – disse em tom inocente – não há perigo.
—Quem é você? – disse o paladino sem sair do lugar.
—Aquilo que você procura, a relíquia, a arma mais poderosa do universo.
—Mas… o que eu procuro é algo e não alguém!
—Vejo que teve sorte de encontrar esse local, mas não de saber realmente o que procurava. A arma pode ser tanto algo como alguém, ela pode ser o que quiser ser. E já que estou vendo que você não vai se render tão facilmente, eu escolho ser, seu pior pesadelo.

Os olhos da elfa mudaram de amarelo para vermelhos vivos, seu corpo entrou num estado de transformação assustador, era apenas uma massa envolta na trevas.

Viofny e seu grupo estavam no portão quando ouviram uma espécie de urro vindo do interior do castelo, correram para dentro. A aprendiz de paladina chegava ao fim de túnel quando um braço de pedra surgiu na sua frente e a jogou para cima de seus companheiros, as estátuas de pedra ganhavam vida.

Enquanto isso, os urros continuavam. Criven golpeava o protetor da relíquia com seu martelo antes desse completar sua forma. Uma garra deformada o atacou prendendo-o contra a parede da caverna, a transformação estava completa, era um dragão de escamas negras reluzentes. Seu martelo estava no chão, ele tentava pegá-lo, mas não conseguia, teria de fazer uso de sua espada. Desembainhando a espada cortou a garra do dragão que o soltou no choque com a lâmina. Sussurrando algumas palavras ele conjura poderes divinos na sua espada que brilha rapidamente. O dragão se arremessa contra seu adversário que salta como se sua armadura não pesasse nada. Criven desce de seu pulo com um golpe feroz de sua espada brilhante, rasgando uma parte da asa do dragão, que se levanta e desfere um golpe mortal contra o paladino, que fica preso no chão pelas garras do dragão. A poça escarlate se forma em torno do paladino.

—Pensou que podia me derrotar tão facilmente?- disse o protetor.

—Nem que eu morra, eu mato você junto, maldito! – disse ofegante o paladino, com a espada em mãos.

Um ataque acerta a garganta do dragão, a espada tomba e agora jaz ao lado do paladino, que usou suas últimas reservas de força para matar o dragão.
Acima, no corredor, Mure explode as estátuas com suas magias destrutivas, Viofny corre na frente, mas só consegue enxergar a queda do dragão, que se desmancha e cai em forma de foice.
A jovem garota corre até o local, verifica se seu mestre fora mesmo desse mundo, e confirma a morte, involuntariamente, ela sorri. Logo atrás estão seus ajudantes.
A Foice das Almas agora não está tão longe. Está perto até demais, e isso deixa Viofny feliz, ela esperou tanto por aquele objeto sombrio.
A foice era de madeira totalmente negra, como a escuridão, manchas brancas circundavam sua aura, eram almas, sua lâmina, em forma de um bico de corvo, era de um metal escurecido e resistente, um simples risco branco a enfeitava, sua magia interna era assustadoramente devastadora. Era por isso que Viofny a queria tanto.
A paladina esgueirou até a arma, seus companheiros a seguiam com os olhos, ela agachou e pegou a arma.

—Agora você já pode destruí-la – disse o mago com uma voz de cansaço.

—Sim… – disse a paladina – se eu quisesse fazer isso desde o início, eu tenho planos maiores para esse mundo, e vocês não estão incluídos neles. Vocês eram só comida para os possíveis inimigos, pena que todos sobreviveram… até agora.

Viofny virou a arma contra seu antigo grupo. Ela havia se apossado do poder da arma, aquilo fluía em seu corpo, as trevas, a escuridão, era ela, somente ela. Viofny tornou-se consciente de alguns poderes, ela entendia que as trevas guardavam outras coisas para momentos maiores.
Num golpe com a arma raspando ao chão ela tenta acertar o ladino, que rapidamente salta para o lado e joga uma adaga, ela para a adaga com um bloqueio mágico. Seus poderes eram incríveis.
O mago se preparava para atacar quando o cabo da foice bateu brutalmente na sua cabeça, que abriu esvaindo sangue. O guerreiro Skugnoir atacou Viofny com suas espadas, acertando o meio da arma, uma sensação fria correu pela sua espinha, a paladina o chutou para longe, sua força era descomunal, tanto que o guerreiro não consegue se levantar ao cair. Viofny concentra energia negra na lâmina da arma e com um Corte Arcano Negro corta o ladino ao meio. Faltava um. O clérigo Nean. Mas onde ele estava?
Nean se escondeu atrás de uma pedra, com alguns sussuros ele proferiu algumas palavras que foram suficientes para iluminar todo o lugar, as luzes puras cegaram Viofny e reviveram o mago, guerreiro e ladino.
Viofny não queria perder, ela bateu com sua foice no chão, e um dragão surgiu, mas dessa vez, era apenas um esqueleto pútrido.

O dragão atacava todos, com as garras, com a cauda, com mordidas, a luta tornava-se cansativa, até que um momento o guerreiro conseguiu quebrar as pernas do dragão, que caiu tornando-se pó novamente, dessa vez para a eternidade. O ladino, furtivo, tenta atacar Viofny pelas costas, mas ela atenta consegue desviar e acertar a foice na garganta do ladino, que cai no chão decapitado. O clérigo reza novamente, mas em vão, a energia emanada da ex-paladina tomara o ambiente novamente, e mais forte que da última vez. O clérigo, sem escapatória fica parado esperando sua morte, que é rápida e indolor, com uma explosão sombria de dentro pra fora. A alma do clérigo e do ladino são sugadas pela foice. O mago rapidamente faz alguns gestos. O teto começa a desabar em cima de Viofny que se joga para trás. Ela espera a poeira do desabamento baixar, segue entre os escombros, mas nada de nenhum deles, apenas os corpos residiam no local. Eles haviam fugido, e ela podia começar seus planos.

O início: A queda de Seneri

Algo naquelas terras era estranho para eles, o importante era que eles não estavam mais na caverna de Viofny. O lugar era vasto e verde, um enorme vale, sem uma criatura se quer. O mago Mure os havia teleportado além da Garganta De Isler, o Mundo.

Foram algumas milhas sem nenhum sinal de vida, até que, ao longe, enxergaram uma construção que parecia um grande templo, a base era quadrada, quase um cubo, a torre circular, exatamente no meio da base, janelas pequenas em formatos de cone, um pouco arredondo nas bordas e nas arestas paralelas, no fim dela uma espécie de farol. O sol quente deixava os aventureiros cansados demais, Mure já havia desmaiado duas vezes, Skugnoir se segurava, era desonroso um guerreiro desmaiar por causa de um mero cansaço, mas mesmo assim era inevitável a dor que isso o causava. Algumas milhas depois, Mure desmaia, a magia de teleporte consumiu quase todas suas forças, físicas, espirituais e arcanas. Skugnoir o coloca em seu ombro e o carrega na direção da torre.
Não muito tempo após, ao entardecer ele avista uma cidade aos pés da torre, as luzes começam a acender. Era ali que eles iriam morar dali em diante. E a morte de Sir Criven Mohr II não seria em vão.

O rei se preocupava, Viofny não dera nenhuma notícia e nem mesmo seus enviados voltaram, era tarde, e eles provavelmente estariam que estar no reino. Os guardas estavam de olho em qualquer movimento na noite que já havia tomado os céus a pouco tempo.
O rei ia para seus aposento quando foi alertado de alguém vindo do oeste, provavelmente Viofny, com mais quatro cavaleiros, o único problema era que estavam todos de roupas negras. O rei resolveu por ir ver das muralhas.
Saindo de um das torres de arqueiros o rei olhou em direção ao grupo que vinha, realmente era Viofny, mas ele não reconheceu os outros quatro, mas tinha certeza, não eram seus guerreiros.
Viofny parou na frente do portão da cidade.

—Entregue sua cidade seu rei patético e prometo que deixarei você ir sem maiores ferimentos. – disse em tom ofensivo.
—Mas o que é isso Viofny? –disse o rei sem entender o que acontecia.
—Você me ouviu, eu quero sua cidade, ou matarei você e quem se opor a mim.
—Jamais, não sei o que aconteceu com você, mas essa viagem não lhe fez bem, você está louca, sai daqui imediatamente.
—É você quem sabe. Você tem cinco segundos para pensar. – disse a paladina que logo começou a contar – Um!
—Pare com isso, Viofny.
—Dois!
—Você não seria capaz de fazer algo contra mim, eu sempre fiz o que você pedia.
—Três!
—Arqueiros, mirem nessa louca!
—Quatro!
—Segurem todos na mira!
—Cinco! É o seu fim!
—Atirem!

Uma chuva de flechas cobria a noite, o som delas cortando o ar era quase ensurdecedor, milhares de flechas voavam em direção ao alvo. Todas acertaram o chão. Os alvos estavam intactos. Viofny olhou para o chão coberto de flechas.

—Não é o seu dia de sorte. Ataquem!

Os quatro cavaleiros explodiram o portão com esferas mágicas e tomaram as ruas rapidamente, matando qualquer um que tentasse pará-los. Viofny usou o poder para se transforma num demônio negro de grandes chifres e espinhos pelo corpo, pegou o rei e o engoliu, depois soltou fogo nas casas e outros lugares. Muitas pessoas fugiram, mas porque Viofny deixou, ela queria que sua vitória sobre Seneri fosse avisada ao mundo. Era apenas o primeiro reino, era apenas o começo, seus planos iam muito além disso.

Por Atael, Senhor da Eras ( Guilherme ).

Published in: on 11 de Abril de 2010 at 13:08  Comentários (2)  
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